Blog

Desospitalização: mais eficiência e redução de custos hospitalares

O IESS – Instituto de Estudos de Saúde Suplementar registrou alta de 19,4% nos custos hospitalares nos 12 meses encerrados em setembro de 2016. Esse resultado é bastante negativo pois aponta um recorde no aumento dos custos enquanto o setor continua a registrar quedas consecutivas no total de beneficiários.Com esse cenário, os hospitais estão em busca de oportunidades para melhorar sua eficiência.Basicamente, a elevação dos custos da atenção hospitalar está ligada as altas taxas de internação respaldadas na hegemonia do modelo hospitalocêntrico e com os gastos provenientes do crescente uso de altas tecnologias.Novas formas de atuação e novos processos de trabalho que incluam internações domiciliares, cuidados domiciliares, preparação para o autocuidado são necessárias para haver mudanças na qualidade dos serviços prestados.Para o “novo hospital” os papéis tendem a limitar-se aos cuidados intensivos e agudos e à atenção ambulatorial cuja densidade tecnológica é maior.

Desospitalizar significa liberar ou dispensar o paciente de internação hospitalar. Ele pode receber alta hospitalar ou receber assistência ambulatorial multidisciplinar e/ou domiciliar.Com isso a desospitalização é uma ótima alternativa para minimizar a internação hospitalar, podendo ser oferecida por meio de uma empresa específica de Atenção Domiciliar.

A Assistência Domiciliar envolve o gerenciamento de um conjunto de ações:

  • Prevenção;
  • Tratamento;
  • Reabilitação;
  • Acompanhamento Clínico e Manutenção da Saúde;
  • Promoção da Saúde;
  • Atendimento Interdisciplinar;
  • Educação;
  • Segurança do Paciente.

Atualmente existem hospitais de transição, hospitais de apoio, hospitais de retaguarda, Hospice e outros onde a permanência é um preparativo para o domicílio e/ou temporário quando o domicilio for inadequado: o ideal é que todo paciente com indicação de tratamento crônico vá para casa.A equipe multidisciplinar deverá fornecer orientações em relação ao plano de cuidado durante a internação, adequando a alta hospitalar às necessidades individuais de cada paciente, adaptando o domicílio, a família e o paciente para a sua desospitalização, de forma segura e consciente.

Da equipe multidisciplinar espera-se as seguintes ações:

  • Adaptações para promover a atenção domiciliar;
  • Realizar a classificação do paciente pelo risco de cronicidade;
  • Acompanhar as intervenções hospitalares ou ambulatoriais;
  • Realizar o planejamento, execução e acompanhamento da desospitalização.

Algumas evidências:

Alguns dados do Clinical Operation Board de 2013 evidenciam que hospitais da Austrália, Reino Unido e Inglaterra consideram que mais de 5% dos leitos-dia são clinicamente desnecessários.De acordo com a Advisory Board Company, grandes centros da Europa, EUA e Brasil consideram que “o planejamento da alta no final da permanência causa atrasos. As melhorias anteriores nos processos de internação do paciente não significam nada, se a alta for retardada”.Para um hospital médio com cerca de 400 leitos a redução do tempo de permanência em 01 dia pode ser equivalente a adição de 65 novos leitos em sua capacidade.

Ainda de acordo com a Advisory Board Company, o planejamento antecipado da alta envolve práticas assistenciais, como:

  • Ter uma previsão mais assertiva de uma data confiável para a alta;
  • Antecipar as necessidades do paciente, família e do seu destino.
  • Garantir um bom preparo proativo para a alta;
  • Coordenar o processo de permanência dos pacientes;
  • Otimizar as condições pós-agudas, além do hospital, para evitar atrasos.

A desospitalização dos pacientes de longa permanência gera grandes benefícios ao paciente, proporcionando maior chance de envolvimento familiar, diminuição de riscos e mais estímulo à continuidade dos tratamentos.Contudo, a instituição ganha mais rotatividade dos leitos e aumenta sua rentabilidade, visto que a cronificação demanda pouco investimento nos cuidados, menos intervenções e assim menos retorno financeiro.Para as operadoras de saúde a escolha de parceiros que tenham a consciência da sustentabilidade do benefício é fundamental para ter retorno financeiro que a atenção domiciliar pode trazer, no que se trata de contenção de custos e qualidade na assistência.A judicialização é um problema que devemos evitar a todo custo, visto que é muito caro manter uma determinação da justiça em relação a uma prescrição médica. 

Referências:

Revista Hospitais Brasil – http://portalhospitaisbrasil.com.br
Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar – NEAD – http://neadsaude.org.br
Advisory Board – https://www.advisory.com

Compartilhe este post