A preparação para o fim da vida é uma parte fundamental dos cuidados paliativos, especialmente quando o paciente já é idoso. Esse é um tema sensível que precisa ser tratado de maneira delicada e respeitosa. O profissional paliativista precisa tratar a questão com a mesma seriedade dos cuidados fisiológicos para que o paciente possa ter dignidade e conforto nos seus momentos finais. Essa questão é fundamental quando se pensa no cuidado ao paciente em uma dimensão biopsicossocial, que abrange além dos cuidados físicos, os cuidados psicológicos e espirituais.
Falar de questões de mortalidade significa não apenas ajudar a pessoa idosa a se preparar psicologicamente, mas também sua família para o que está por vir. Nesse sentido, o papel do profissional da psicologia é fundamental para o alívio do sofrimento. Também entra em cena o Assistente Espiritual, que ajudará o paciente a entrar em contato com o seu sagrado e o ajudará a ter um final de vida com dignidade. Esses profissionais também são fundamentais no processo de tomada de decisões para que os momentos finais tenham, além dos sintomas controlados, um conforto emocional.
Superar o medo e os tabus culturais que muitas vezes levam os idosos e suas famílias a evitarem o tema é um dos principais desafios dos profissionais de saúde. Criar um ambiente seguro e acolhedor é crucial para que a morte seja tratada com naturalidade. Além disso, as famílias podem ter diferentes perspectivas sobre como lidar com o fim da vida de um ente querido, o que pode gerar disputas sobre os cuidados a serem oferecidos ou as preferências do paciente.
Infelizmente, nem todos os profissionais de saúde estão preparados para tratar da morte de maneira sensível e adequada. A falta de formação em cuidados paliativos e comunicação pode levar a abordagens insensíveis. Investir em treinamento contínuo para os profissionais, focando em empatia, comunicação e cuidados paliativos, é essencial para garantir que o tema seja tratado com a devida sensibilidade.
Os profissionais de saúde devem criar espaço para que o paciente e sua família possam expressar seus sentimentos, medos e preocupações. A escuta ativa fortalece a confiança e oferece o suporte necessário. Incluir os familiares nas decisões sobre cuidados, sempre respeitando as preferências do paciente, é uma maneira eficaz de garantir que a preparação para a morte seja feita de acordo com os desejos do idoso. Esse processo promove um final de vida mais tranquilo e respeitoso, além de proporcionar um alívio psicológico significativo.
Quando a morte é tratada de maneira respeitosa e empática, a relação de confiança entre a família e a equipe de saúde é fortalecida. Isso melhora a adesão ao plano de cuidados e aumenta a satisfação com o atendimento. A preparação para a morte, por meio de cuidados paliativos, permite que o idoso tenha uma morte digna, com conforto e apoio, e que a família possa lidar com o luto de maneira mais serena.
Discutir e se preparar para a morte é um aspecto vital dos cuidados paliativos. Ao tratar esse tema de forma sensível, os profissionais de saúde oferecem um cuidado mais acolhedor, respeitoso e digno para os idosos e suas famílias. Essa abordagem não só proporciona uma morte mais tranquila, mas também contribui para uma experiência de fim de vida que respeita a individualidade e os desejos do paciente.
Pedilar: cuidar é nossa vocação.
Fonte: https://www.scielo.br/j/csp/a/Bs48kxpqTjpr3MpGgT9WDZp/?lang=es